segunda-feira, novembro 05, 2012

Dançar, Viver e Emocionar



Arquivo Pessoal

"Dançar é muito mais do que apenas movimentar o corpo. Dançar é entregar-se de corpo e alma à música... Expor todos os sentimentos ocultos, deixando-se levar pela emoção do momento."

O que faz a dança ter tamanha importância para mim...
Lembro que desde os meus sete anos, o meu sonho era fazer aulas de Street Dance, mas as aulas eram muito caras em academias e geralmente muito longe da minha casa, até que vi como oportunidade o projeto da prefeitura de Esteio, município ao qual moro até hoje. O projeto se chama Programa Integrado de Inclusão Social. O curso não de Street, mas de um Hip Hop básico, o que pra mim não importava, porque eu queria mesmo era dançar. E levo isso como prova de que não se precisa pagar por aquilo que te traz prazer.
Eu ainda lembro-me da minha primeira aula de dança... Tinha em torno de uns 40 alunos na quadra da escola e eu só conhecia dois deles, mas a aula que me marcou mesmo foi a minha primeira aula na Casa de Cultura de Esteio.
Lembro que o professor, após uns meses de curso, havia selecionado os melhores do grupo para formar um outro grupo, ao qual seria o principal. Eu não acreditei quando fui selecionada, porque eu estava entre alunos que já tinham mais de dois anos de dança.
Quando chegamos lá, começamos um aquecimento e ele colocou uma música que me fez sentir algo tão forte, que cheguei a imaginar aquilo, como uma cena de um filme. Como um dejá vu. O momento foi tão importante pra mim, pois eu me senti preenchida, como se houvesse encontrado algo que me estava escondido há tanto tempo. A música me tocou muito. E acho que posso classificar esse dia, como um dos melhores da minha vida, tanto que eu ainda lembro o nome da música, Teardrops da Massive Attack (música que está na trilha sonora da série House).
Outra coisa que eu recordo bem, é que eu amei a música com a qual estávamos trabalhando, a qual se chamava Slow Down do Bobby Valentino, então quando cheguei em casa fui procurá-la para ensaiar mais, só que eu escutava a música e dizia que não era aquela, porque pra mim, no ensaio, só havia batidas. É até engraçado de lembrar, pois quando cheguei no próximo ensaio e escutei a música, eu disse: - Não acredito que era aquela música mesmo. E ele me perguntou: - Como assim?
Aí eu expliquei que no ensaio anterior, enquanto dançava, pra mim só existiam as batidas, ele até disse que eu havia entrado no espírito da dança, me concentrei em escutar as batidas, para segui-las, então não me preocupei com a voz presente. Recebi até um elogio, porque ele disse que isso era muito bom e que era o efeito que ele esperava nos demais.
Aquelas batidas penetraram em mim despertando algo há muito tempo adormecido. Uma paixão inigualável, como um ponto de paz no peito. A dança me fez ver que eu posso descontar toda a minha raiva nela, tornando a coreografia executada, cada vez mais perfeita, e ainda assim, como recompensa, me sentir livre. Nós sentimos quando nascemos para algo, e eu acho que senti isso naquele momento.
Eu realmente nunca vou esquecer quando fui procurar a música no youtube e achava que não estava encontrando-a, pois eu só me lembrava das batidas. Para mim não havia vocal, não havia nada, além delas... As batidas.
Desde essa época, há três anos, a dança se tornou uma parte inseparável de mim. Hoje em dia posso até não estar em um grupo, mas são indispensáveis os vídeos, as músicas, e até mesmo dançar em casa, pois é incrível o que eu sinto enquanto danço, é incrível a emoção que toma conta do corpo, quando ele se movimenta.
É impossível descrever o que sentimos enquanto dançamos. Só quem dança por amor ou para expor os sentimentos de uma forma indireta, se livrar de tudo aquilo que lhe faz mal e expressar o lado sombrio que insiste em aparecer de alguma forma... Sabe do que eu estou falando.
Só quem sente a dança, consegue descrever cada momento, cada passo que se dá... E a intensidade de ser você mesmo em um momento só seu, em que você é a estrela que está brilhando no momento. É incrível e não tem como descrever a sensação de estar dançando em cima de um palco. Os aplausos, flashes, gritos, tanto para o grupo quanto para você, são incríveis, principalmente quando termina a apresentação e você recebe a notícia de que você ou o seu grupo, foi convidado para se apresentar em um evento.
A dança é algo que vai estar sempre presente em minha vida, e quero apreciá-la até o dia da minha morte, pois eu sei que ela nunca vai me abandonar e, além disso, ainda me ajuda a resolver tudo aquilo, que eu acho tão difícil. Ela me ajuda a refletir. Além de que, quando a música entra, tudo de ruim sai. As lágrimas caem, as expressões se destacam em seu corpo, movimentos novos surgem e os sentimentos se expõem. Bom, uma nova pessoa surge e a dança se torna melhor que um desabafo. Portanto, sinta e apenas dance apenas se deixe levar pelas batidas, pelo embalo do momento. Não sinta vergonha de chorar, se vier a acontecer, pois as lágrimas sempre farão parte da dança, quando os sentimentos e emoções estiverem presentes.
Como fim deste relato, deixo dois pensamentos meus, como forma de mensagem:

"Solte o eu que está dentro de você. Liberte os sentimentos reprimidos. Exponha tudo que lhe faz sentir-se triste. Expresse a sua dor. Escute a música e deixe-a te guiar. Solte o seu corpo, expresse seus movimentos. Apenas dance. Liberte o personagem do seu interior. Seja você mesmo. E Então você saberá o que realmente é dançar. O que realmente é o amor pela dança. Apenas sinta a música e demonstre seus sentimentos."
“Acho que a dança, não se pega pelas coisas que nos mandam fazer, e sim por aquilo que sentimos, pelas coisas as quais mechem conosco e nos fazem correr atrás dela.”

Bjs e até o próximo post. ;*

domingo, novembro 04, 2012

Entre estudos e sonhos - Tarefa sobre rotinas, relacionada à matéria de português





Aos poucos a minha mente se desliga do mundo surreal. O mundo sonhos. Onde as vontades e os medos se encontram. Onde os fragmentos de pensamentos permanecem ativos.

Pouco a pouco o barulho estridente da função “despertador”, do meu celular, se torna mais audível. Os ouvidos se acostumam com o barulho, mas a mente cansada, mesmo após a noite de sono, se recusa a ficar ouvindo-o. Então eu abro os olhos, procuro o celular na escrivaninha ao lado da cama e após interromper o barulho, confirmo o horário. Ele marca dez horas da manhã, avisando-me - como normalmente ocorre nos dias em que preciso ir para a escola - que é hora de levantar.

Após espreguiçar-me, espero alguns minutos até me acostumar com a ideia de que tenho que levantar mesmo contra a minha vontade. Pego as toalhas de banho e dirijo-me ao banheiro. Após colocá-las no porta toalhas, escovo os dentes, tomo banho e como de fato, retorno ao quarto para dar continuidade à minha rotina.

Demoro longos minutos para escolher a que roupa irei vestir, e então depois desta etapa, parto para os últimos momentos desta primeira parte da minha rotina: fazer a maquiagem, arrumar o cabelo e almoçar.
Hoje, diferentemente dos outros dias, optei por deixar a preguiça de lado e levantar um pouco mais cedo para não sair de casa sem almoço e correndo, como normalmente ocorre. Depois de almoçar com a minha irmã e sobrinho, espero o relógio marcar doze e quarenta e cinco para me dirigir ao ponto de ônibus.

Agora, dentro do ônibus, poderia até conversar com um ou outro colega que encontro, mas eu prefiro meus fones, a música e meus pensamentos. Às vezes carrego comigo um livro, outras vezes carrego somente os pensamentos como forma de distração. 

Poderia dizer que este é um dos meus momentos de reflexão do dia. Digo isto, porque gosto bastante de ficar pensando, independente do momento. Gosto de refletir sobre o modo como as coisas ocorrem; sobre como nossas atitudes refletem no nosso futuro. 

A cada parada do ônibus, observo as pessoas entrarem e logo após, redireciono minha cabeça para a rua, meus dedos em direção ao celular, pra trocar de música, e meus pensamentos para o lugar onde se encontravam momentos antes.

Quando chego na escola, apresento o crachá para os porteiros e vou diretamente para a sala de aula. Poucos minutos depois o (a) professor (a) chega e começa a aula. A nossa, praticamente interminável, aula.
Depois de quatro horas e quarenta e cinco minutos de aula, sendo quinze deles direcionados ao intervalo, é hora de ir embora.

Neste momento possuo duas escolhas: Esperar cerca de uma hora para pegar o próximo ônibus que me deixará bem perto de casa ou ir para o centro da cidade e pegar um ônibus que me deixará um pouco mais distante. Esta escolha depende muito do meu nível de cansaço e preguiça.

Nesse intervalo de tempo, geralmente fico conversando com meus colegas. Conversas que rendem boas risadas e às vezes até algumas discussões.

Quando finalmente estou a caminho de casa, novamente os pensamentos me invadem e desta vez eu não cuido mais quem está subindo a cada parada do ônibus. Desta vez o cansaço me toma e com o único intuito de chegar em casa, eu simplesmente me divido entre pensar e observar os movimentos das ruas. Os flashes de imagens que denunciam a velocidade com a qual estamos nos locomovendo.

Ao chegar em casa, por volta das sete e trinta da noite, cumprimento minha irmã e meu pai – pois geralmente minha mãe ainda não chegou neste horário – e direciono-me ao meu quarto para largar a mochila e, enfim, poder jantar.

Depois deste processo entre chegar da escola, jantar e etc. Eu volto para o quarto, pego meu notebook e começo a navegar na internet. Ora fico conversando no Windows Live Messenger, ora fico lendo blogs e verificando meus perfis nas redes sociais. 

Quando tenho trabalhos escolares, os faço. Eu também gosto muito de ler. Diria que essa paixão é até mesmo maior que a minha paixão por escrever e fotografar, porque afinal, dançar é a minha maior paixão, a qual infelizmente vem sendo deixada de lado pela falta de tempo ocioso durante as tardes da minha semana.

Cumprimento minha mãe quando ela chega. Às vezes eu converso com minha família enquanto eles veem televisão – ou até mesmo assisto com eles – e às vezes eu permaneço no quarto até o sono avisar-me que estou suficientemente cansada para desligar-me do mundo.

E é nesse momento – quando eu deixo tudo de lado e dou lugar aos meus maiores e melhores pensamentos – que eu me deixo guiar pelos sonhos, pelas lembranças e por tudo aquilo que marcou os meus últimos dias e horas. 

É nesse momento que eu me permito sonhar, chorar, questionar-me e imaginar um futuro. Mas não um futuro perfeito, porque eu sei – mesmo estando na minha adolescência – que a vida não é fácil e só tende a piorar com o número de responsabilidades que cresce a cada milésimo de segundo a mais, que vivemos.

E assim, depois de longos minutos – e às vezes até horas – a minha consciência bate à porta do mundo surreal pedindo permissão para entrar. Pedindo permissão para sonhar novamente e se desligar de todos os problemas reais para dar lugar a uma boa noite de sono. E mesmo que ela não me permita dormir bem às vezes – me chamando de volta à realidade de tempos em tempos relembrando-me tarefas escolares e problemas cotidianos – ela parece irresistivelmente tentadora pra mim.

É assim que meu dia termina. E é assim que tudo toma início no próximo dia.



"No escuro do meu quarto são somente eu e meus pensamentos."


Bjs e até o próximo post. ;*