Aos poucos a minha mente se
desliga do mundo surreal. O mundo sonhos. Onde as vontades e os medos se
encontram. Onde os fragmentos de pensamentos permanecem ativos.
Pouco a pouco o barulho
estridente da função “despertador”, do meu celular, se torna mais audível. Os
ouvidos se acostumam com o barulho, mas a mente cansada, mesmo após a noite de
sono, se recusa a ficar ouvindo-o. Então eu abro os olhos, procuro o celular na
escrivaninha ao lado da cama e após interromper o barulho, confirmo o horário.
Ele marca dez horas da manhã, avisando-me - como normalmente ocorre nos dias em
que preciso ir para a escola - que é hora de levantar.
Após espreguiçar-me, espero
alguns minutos até me acostumar com a ideia de que tenho que levantar mesmo
contra a minha vontade. Pego as toalhas de banho e dirijo-me ao banheiro. Após
colocá-las no porta toalhas, escovo os dentes, tomo banho e como de fato,
retorno ao quarto para dar continuidade à minha rotina.
Demoro longos minutos para
escolher a que roupa irei vestir, e então depois desta etapa, parto para os
últimos momentos desta primeira parte da minha rotina: fazer a maquiagem,
arrumar o cabelo e almoçar.
Hoje, diferentemente dos outros
dias, optei por deixar a preguiça de lado e levantar um pouco mais cedo para
não sair de casa sem almoço e correndo, como normalmente ocorre. Depois de
almoçar com a minha irmã e sobrinho, espero o relógio marcar doze e quarenta e
cinco para me dirigir ao ponto de ônibus.
Agora, dentro do ônibus, poderia
até conversar com um ou outro colega que encontro, mas eu prefiro meus fones, a
música e meus pensamentos. Às vezes carrego comigo um livro, outras vezes
carrego somente os pensamentos como forma de distração.
Poderia dizer que este é um dos
meus momentos de reflexão do dia. Digo isto, porque gosto bastante de ficar
pensando, independente do momento. Gosto de refletir sobre o modo como as
coisas ocorrem; sobre como nossas atitudes refletem no nosso futuro.
A cada parada do ônibus, observo
as pessoas entrarem e logo após, redireciono minha cabeça para a rua, meus
dedos em direção ao celular, pra trocar de música, e meus pensamentos para o
lugar onde se encontravam momentos antes.
Quando chego na escola, apresento
o crachá para os porteiros e vou diretamente para a sala de aula. Poucos
minutos depois o (a) professor (a) chega e começa a aula. A nossa, praticamente
interminável, aula.
Depois de quatro horas e quarenta
e cinco minutos de aula, sendo quinze deles direcionados ao intervalo, é hora
de ir embora.
Neste momento possuo duas
escolhas: Esperar cerca de uma hora para pegar o próximo ônibus que me deixará
bem perto de casa ou ir para o centro da cidade e pegar um ônibus que me
deixará um pouco mais distante. Esta escolha depende muito do meu nível de
cansaço e preguiça.
Nesse intervalo de tempo,
geralmente fico conversando com meus colegas. Conversas que rendem boas risadas
e às vezes até algumas discussões.
Quando finalmente estou a caminho
de casa, novamente os pensamentos me invadem e desta vez eu não cuido mais quem
está subindo a cada parada do ônibus. Desta vez o cansaço me toma e com o único
intuito de chegar em casa, eu simplesmente me divido entre pensar e observar os
movimentos das ruas. Os flashes de imagens que denunciam a velocidade com a
qual estamos nos locomovendo.
Ao chegar em casa, por volta das
sete e trinta da noite, cumprimento minha irmã e meu pai – pois geralmente
minha mãe ainda não chegou neste horário – e direciono-me ao meu quarto para
largar a mochila e, enfim, poder jantar.
Depois deste processo entre
chegar da escola, jantar e etc. Eu volto para o quarto, pego meu notebook e
começo a navegar na internet. Ora fico conversando no Windows Live Messenger,
ora fico lendo blogs e verificando meus perfis nas redes sociais.
Quando tenho trabalhos escolares,
os faço. Eu também gosto muito de ler. Diria que essa paixão é até mesmo maior
que a minha paixão por escrever e fotografar, porque afinal, dançar é a minha
maior paixão, a qual infelizmente vem sendo deixada de lado pela falta de tempo
ocioso durante as tardes da minha semana.
Cumprimento minha mãe quando ela
chega. Às vezes eu converso com minha família enquanto eles veem televisão – ou
até mesmo assisto com eles – e às vezes eu permaneço no quarto até o sono
avisar-me que estou suficientemente cansada para desligar-me do mundo.
E é nesse momento – quando eu
deixo tudo de lado e dou lugar aos meus maiores e melhores pensamentos – que eu
me deixo guiar pelos sonhos, pelas lembranças e por tudo aquilo que marcou os
meus últimos dias e horas.
É nesse momento que eu me permito
sonhar, chorar, questionar-me e imaginar um futuro. Mas não um futuro perfeito,
porque eu sei – mesmo estando na minha adolescência – que a vida não é fácil e
só tende a piorar com o número de responsabilidades que cresce a cada milésimo
de segundo a mais, que vivemos.
E assim, depois de longos minutos
– e às vezes até horas – a minha consciência bate à porta do mundo surreal
pedindo permissão para entrar. Pedindo permissão para sonhar novamente e se
desligar de todos os problemas reais para dar lugar a uma boa noite de sono. E
mesmo que ela não me permita dormir bem às vezes – me chamando de volta à
realidade de tempos em tempos relembrando-me tarefas escolares e problemas
cotidianos – ela parece irresistivelmente tentadora pra mim.
É assim que meu dia termina. E é
assim que tudo toma início no próximo dia.
"No escuro do meu quarto são somente eu e meus pensamentos."
Bjs e até o próximo post. ;*

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